Nos últimos anos pudemos assistir ao surgimento acelerado de novas estratégias para a monitorização e tratamento da diabetes tipo 1. A massificação do uso de sensores de glicose intersticial, o lançamento de várias novas moléculas de insulina (tanto lentas como rápidas), a vulgarização do uso de aplicações de smartphone para a diabetes e o surgimento de sistemas de pâncreas artificial (tanto comerciais como open-source) estão a mudar a forma como as pessoas com diabetes tratam a sua doença.
No entanto, com o recurso cada vez mais frequente a novas tecnologias, também se tornou aparente que o seu uso não é uma opção para muitas pessoas com diabetes atingirem os seus objetivos de tratamento. O facto é que, seja por ocorrência de reações adversas, uma curva de aprendizagem exigente para determinada pessoa, interação com a vida pessoal ou profissional, ou alterações da perceção da imagem corporal, um considerável número de pessoas acaba por desistir do uso da bomba infusora ou do sistema de monitorização da glicose. Na verdade, não se deve «forçar» a ideia que o uso de um determinado sistema é uma condição sine qua non para atingir um bom controlo metabólico. Se, por algum motivo, a pessoa não puder usar o dispositivo, ficará a perceção de «falhanço», e esse é o pior serviço que um profissional pode prestar a uma pessoa com uma doença crónica.
Num problema como a diabetes, o foco deve estar na pessoa e nos seus objetivos metabólicos, não nos métodos. Ao selecionar a estratégia terapêutica, a procura pelos métodos que melhor se adequem aos objetivos da pessoa promove a satisfação com o tratamento e contribui para melhorar a qualidade de vida.