Nas últimas décadas, a monitorização da diabetes baseou-se no recurso à medicação da glicose em sangue obtido por picada no dedo. Esta estratégia permitia ter uma percepção sobre a qualidade do controlo, de dia para dia. Porém, a informação obtida referia-se apenas aos momentos em que a medição era feita. E, se bem que essa informação fosse valiosa, nem sempre representava o controlo ao longo do dia. Seria como ver uma história através de um número de limitado de fotografias (por sinal, a maior parte das vezes ao acordar).
O surgimento da monitorização contínua da glicose intersticial mudou a forma como «vemos» o controlo da diabetes. A partir do momento em que se torna possível obter um perfil glicémico obtido a partir de milhares de medições da glicose obtidas todos os dias, deixamos de ver o álbum de fotografias e passamos a ver o «filme». Esta nova perspectiva permitiu identificar com maior precisão as situações de risco, como por exemplo os casos de pessoas com diabetes e com hipoglicemia recorrente, assim como identificar com maior definição as situações que estão a fazer descarrilar o controlo da diabetes.
Trata-se de uma evolução espantosa, e que promete melhorar a vida de milhões de pessoas. Porém, é essencial o contacto com um profissional de saúde ambientado com este tipo de tecnologias, e que ajude a «navegar» o mar de informação obtido com estes dispositivos.