A insulinoterapia

Estamos prestes a celebrar o 100º aniversário da descoberta da insulina. Esta hormona, presente naturalmente no nosso corpo, é uma das terapêuticas disponíveis para o tratamento da diabetes. Nalgumas formas de diabetes, em particular a diabetes mellitus tipo 1, é absolutamente essencial que a insulina seja administrada diariamente. Desde então, milhões de pessoas com diabetes tipo 1 puderam escapar ao mau prognóstico, a curto prazo, da doença, e puderam viver décadas de vida com mais ou menos complicações.

As melhores estratégias para a utilização da insulina estão em constante evolução, e muitos dos conceitos que hoje utilizamos para determinar se a insulina está a ser devidamente utilizada foram descritos há poucos anos. Adicionalmente, desde 1996, foram disponibilizadas várias novas formulações insulina, similares à humana, com perfis de ação distintos, que permitem «desenhar» o esquema insulínico de forma mais personalizada e adequada a cada pessoa com diabetes. Assim, com a utilização das ferramentas mais adequadas, é possível atingir um bom controlo da diabetes sem correr um risco excessivo de hipoglicemia (ie quebra de açúcar), e sem a necessidade de «correr atrás do prejuízo», com o recurso a refeições não desejadas apenas para evitar hipoglicemias.

Um dos conceitos que mais recentemente tem vindo a ser divulgado é o da sobrebasalização (peço desculpa pela tradução direta do inglês overbasalization). Refere-se à administração de insulina basal em excesso, numa tentativa de corrigir picos glicémicos geralmente relacionados com as refeições. Isto resulta num aumento da variabilidade glicémica e num risco elevado de hipoglicemia, com um controlo metabólico global inadequado mesmo que tenha uma média da glicose dentro do objetivo. Em esquemas de auto-ajuste da dose de insulina, é importante confirmar periodicamente com o seu médico se a estratégia está a ser bem sucedida na obtenção dos melhores resultados possíveis com o máximo de segurança.

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